Carta para quem não me conhece…

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Quem sou eu? Uma pergunta que eu não consigo responder, porque está em constante mudança. A cada viagem me transformo, pego um pedacinho desse quebra-cabeças espalhado pelo mundo.

Mas posso dizer que eu sou a neve de Bariloche, o sabor do vinho de Santiago, o tango de Buenos Aires, as ondas do Stormsriver, a multidão apressada na Times Square e talvez até a tristeza do Museu do Apartheid.

E se você, que achava me conhecer, não consegue ver isso em mim… Desculpe meu amigo, você nunca se interessou ou tentou me conhecer de verdade.

Se você não demonstra interesse quando eu vou contar alguma das minhas aventuras, dificilmente voltará as ouvir. Pois eu só tento uma vez.

E se um dia me ler e dizer que eu não sou tudo isso que vive porque você não vê… Bom, o problema não é meu.

Você deveria estava preocupada demais com o seu mundo, por isso nunca pôde ver o meu…

Você acha que eu vivo uma vida inventada? Que nunca tive esses sentimentos e vivi cada linha escrita aqui?

Se existe uma mascara, é a que eu uso para esconder essa pessoa, porque eu não quero parecer arrogante em meio a pessoas que geralmente não conhecem muito além do quintal da própria casa e que nunca vão entender quando falo sobre wanderlust.

Se eu não falo é porque eu sei que não adianta eu descrever o por-do-sol que vi no safari em Sun City, da felicidade que senti em Cape Town, do quanto a África do Sul me mudou.

Porque você nunca vai entender e não parece estar disposta a escutar. Prefiro falar com desconhecidos, que estão na mesma sintonia, com os mesmos sonhos. Que não me julgam, apenas compartilham esses sonhos.

Eu não preciso e nem quero, dizer aos quatro ventos sobre as minhas aventuras, para todos que eu conheço pessoalmente. Pois  são meus tesouros e só são mostrados para quem se interessa, para quem eu sinto que esta afim de compartilhar.

Algumas diferenças são difíceis de relevar. E para mim essa é uma delas. Cansei de viver de superficialidades… Quero encontrar pessoas que tenham a mesma sintonia, que compartilhem desses sonhos.

E se você, que nunca me entendeu, não sabe quem eu sou, não consegue me ver nessas linhas, diz que existe outra pessoa…. Desculpe, mas será que no final das contas somos realmente amigos de verdade?


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