Sensações na jornada…

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Por que nunca conseguimos demonstrar algo a alguém da maneira e com o mesmo impacto que aquilo nos afetou?

Por que somos mesmo assim tentados a fazê-lo?

Imagino que as sensações que nos cercam afetam o nosso subconsciente de maneira explosiva.

Você já se lembrou de alguma memória no passado por sentir um aroma ou sabor singular?

Acredito que nós somos empáticos por natureza, buscamos experiências novas em tudo que fazemos.

Buscamos aceitação, beleza, aprendizado e continuidade na nossa jornada. Isso nos define, compõe o que somos e como vemos o mundo que nos cerca.

Em todos os lugares que passo, procuro me concentrar nas cores que vejo, ver o grande retrato ao meu redor, “respirar o momento”.

Se somarmos tudo isso à lugares novos, como em uma viagem, expandiremos a nossa consciência do mundo exponencialmente.

Também procuro ver as flores em uma paisagem, elas nos transmitem as características do lugar.

Cito como exemplo as flores que vi em uma das ruínas que visitei no Peru. Silvestres, com cores vivas e brilhantes, donas do tempo, pois quando se nota, há uma sensação de paz e curiosidade para imaginar o seu passado e futuro.

Fico ansioso e eufórico em tentar transmitir o que vejo. As vezes invejo um pintor, pois com os seus traços e formas, consegue expressar não em palavras, mas em cores o que o seu subconsciente absorveu.

Mas também me alegro em não sê-lo, pois tento expressar cada experiência e cada momento de forma diferente, todas as vezes.

Há alguns anos atrás, viajei em um ônibus enquanto chovia, perdido em pensamentos,  ao sentir o cheiro de terra molhada, senti uma tranquilidade enorme… Era a noite, estava voltando pra casa depois de um longo período fora. Esse momento me marcou para sempre, mas por que?

Não tenho certeza, mas acho que foi ali que percebi que as suas experiências não são compostas somente pelos caminhos percorridos, mas também pela sua finalidade e definição do que você chama de “lar.”

Somos tentados à praticar, demonstrar e sentir através dos nossos cinco sentidos, mas nunca deixando de lado o nosso sexto sentido: o coração.

Leonardo Rios


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14 comentários

  1. Linda análise. Nossos sentidos são mesmo magníficos e eles ajudam a guardar detalhes e momentos que realmente valeram e valem a pena. Ah, e o lar, nosso tudo, nosso porto seguro, aquilo que também faz cada viagem ser maravilhosa – a saudade, voltar para casa, faz parte da jornada e torna tudo ainda especial. Abraço!

  2. Belo texto!
    Para mim, uma viagem é um parênteses no cotidiano da vida. É uma pequena porção de tempo roubado da realidade que nos faz sonhar com um mundo que não é o nosso, ou com um lugar que não nos pertence. As primeiras viagens que fiz, ainda muito nova, eu queria ficar nos lugares que conheci. Hoje sei que quero voltar para casa, para quem sabe poder sair de novo para outro lugar.

  3. Adorei a reflexão. E hoje em dia que as pessoas não desligam de seus aparelhos eletrônicos… celulares, ipad e notebooks… mais necessário que nunca lembrar que a jornada precisa ser vivenciada e temos que desconectar pra “nos conectarmos” .

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