Síndrome de Paris: expectativas e realidades, o paradoxo da cidade luz!

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Foto: Pixabay

Quando você pensa em Paris logo vem em mente aquelas lindas imagens que vemos no cinema e na TV, todo o romantismo da cidade luz. Não canso de ver filmes como “Meia Noite em Paris” e “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” onde mostram aquela beleza e clima vintage da cidade.

Em outubro de 2017 realizei o sonho de conhecer Paris. E não posso deixar de dizer que a Torre Eiffel é impressionante, que o Louvre é o museu mais incrível que já visitei na vida e que a Champs-Élysées é a avenida mais glamourosa do mundo.

Mas eu preciso falar sobre a minha experiência, abrir meu coração sobre a Paris que não é só glamour… Pensei muito antes de escrever esse post, porque parece ser um tabu e uma heresia criticar Paris. Deixo bem claro que é meu ponto de vista, não é uma regra, não é uma verdade absoluta.

Paris também é falta de educação de parte dos seus moradores, é os caras estranhos tentando te assaltar na estação Gare du Nord, é o metrô largado… Por falar em metrô apelidei ele de “sinistrão”. Tem algumas estações pichadas e com as paredes sem reboco/acabamento, muito degradado. De dia já dá medo, imagina de noite!

Fomos pegar o trem para Colônia na Gare du Nord de madrugada, chegamos lá por volta das 4h30 da manhã. Tinha meia dúzia de turistas e um monte de caras estranhos pedindo dinheiro. Tinha que ficar de olho em tudo o tempo todo, ficar mudando de lugar, até desistimos de comer para não se distrair. Como somos brasileiros, acabamos sabendo lidar e desviar desse tipo de situação, mas os outros turistas mais ingênuos eram alvos fáceis.

E as ameaças não são só os caras mal encarados, nós estávamos tão alertas e acabamos caindo num golpe dado por duas garotas perto do Louvre. Uma lista de um abaixo assinado para ajudar cegos onde você assina e elas falam que se você assinou precisa dar uma contribuição “para ajudar na caridade”, foi tão rápido o golpe que só percebemos depois,  perdemos algumas moedas nessa “contribuição” forçada.

Acho que a minha Paris acabou sendo Bruxelas, cidadezinha charmosa, povo educado falando francês, segurança para andar sozinha por todas aquelas ruelas do Grand Place (inclusive a noite), era aquilo que eu idealizava e que não encontrei em Paris.

Existe uma síndrome, de verdade, com estudos de psicólogos e tudo mais chamada “Sindrome de Paris” que acontece principalmente com os turistas japoneses que visitam a cidade luz.

Ela consiste na desilusão causada pela realidade em contra partida com aquela idealização que criamos de Paris devidos aos filmes e livros, que mostram uma cidade dos sonhos e quando chegamos lá vemos que não é bem assim.

Segundo a Wikipedia a síndrome tem sintomas como delírio, alucinações, sentimentos de perseguição,  ansiedade, e também manifestações psicossomáticas, tais como tontura, taquicardia, etc. Não cheguei à tanto, mas a decepção aconteceu.

De todas as cidades que visitei na Europa, Paris eu não andaria sozinha porque achei bem inseguro, principalmente para mulheres. Tem muita gente mal encarada principalmente na estação Gare du Nord (a principal da cidade, onde chega o Eurostar) e nos pontos turísticos (principalmente perto do Louvre), te abordando para pedir dinheiro, tentar vender algo, te distrair ou dar um golpe.

O clima de insegurança não é só em relação ao medo de terrorismo (que eles tem com  razão),  em todos os lugares turísticos tem placas “Cuidado com o pickpockets” (batedores de carteira), você precisa estar sempre em alerta. Na Torre Eiffel vi mais de 10 placas dessas.

Felizmente não tive nenhum problema além de ter que desviar dessas perturbações  durante a estadia, mas a Roberta do blog “Holandesando”, contou sobre uma trip bem tensa que ela teve por lá, coisas que realmente podem acontecer, fica o alerta.

Foi importante conhecer Paris para ver toda aquela história e monumentos que sempre quis conhecer, mas confesso que a cidade luz para mim perdeu parte do brilho, ofuscada pela sua realidade atual: caótica e um tanto insegura.

O Leo não teve uma impressão como a que eu tive, até coloca a cidade entre as melhores da nossa Eurotrip, por isso, digo que isso é muito uma questão de perspectiva e opinião.


O Leo escreveu um post sobre a visão dele de Paris, leia aqui: “Paris, França: uma visão romântica”


Acho que o fato de estarmos vindo de Londres, a cidade onde tudo é lindo e funciona, contribuiu para o choque de realidade com Paris. Seja na segurança, na organização, na educação e na limpeza da cidade.

É importante cada um ver e conhecer para  poder criar suas próprias conclusões, cada lugar, cada momento, vai ter uma percepção diferente.

Voltaria? Talvez, para tentar ver a cidade novamente, tentar quebrar alguns preconceitos, conhecer novos lugares, dar uma segunda chance.

Não é que eu não goste da cidade, apenas não foi tudo aquilo que sonhei, talvez as nossas expectativas exageradas sejam responsáveis por esse tipo de sentimento. Tive bons momentos, não foi uma viagem ruim, mas eu precisa contar que nem tudo são flores.

Qual é a sua Paris? Que marcas que essa cidade deixou na sua visita?

Conte nos comentários.


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6 comentários

  1. Nossa! Pensei que só eu tinha me decepcionado com Paris… rsrsrs
    Muita propaganda e glamour.
    Foi o único lugar da Europa que eu fui assaltada, fui mal atendida (só falo inglês… eles detestam!).
    Passei uma virada de ano lá, metrô lotado, cheiro de urina insuportável nas ruas, cidade suja…
    Foi lá que corri da polícia (teve protestos na noite do dia 31/12), tive que trancar o nariz por causa de gás lacrimogêneo… enfim, é linda e ao mesmo tempo decepcionante!

  2. Já tinha lido sobre os japas, acho bem extremo, mas bem, japas… Concordo sobre os pontos negativos, uma francesa até me alertou na rua sobre os trombadinhas… Mas achei Paris tão emocionante! Acho que tinha baixas expectativas, ao contrário de Londres, que ficou aquém do que eu esperava gostar (achava que deixaria NYC no chinelo, mas continuo achando NYC a melhor cidade). O norte da Europa é incrível, achei os holandeses em Amsterdã incríveis e amei Berlim, nossa, apaixonadíssima por Berlim! Acho que toda viagem é assim, né, cada um cria uma expectativa diferente e acaba encontrando lugares diferentes.

  3. Adorei sua sinceridade, mas felizmente não tive qualquer problema em Paris (nem medo). Já estive algumas vezes na cidade, e aproveitei bastante, mas confesso que senti muita diferença com o passar dos anos.

  4. Oiii!! Graças a Deus, não tive nenhum incidente em Paris e amei tudo da cidade, mas acho importante reforçar sobre essas meninas que ficam perto do Louvre e de outros locais muito frequentados por turistas, como Montmartre. A nossa sorte (minha e do meu noivo) é que o nosso primeiro contato visual com elas foi em um ensaio fotográfico que fizemos, e o nosso fotógrafo nos alertou sobre o golpe. Inclusive, elas não são francesas, mas esqueci a nacionalidade agora. A partir desse alerta dele, sempre que as víamos, nos distanciávamos ou ignorávamos e passávamos bem depressa por elas.

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